Inmersión nos afunda na hipocrisia liberal

O terror Inmersión, de Nicolás Postiglione, pode não ser o filme que se espera quando o que se espera é o óbvio.

Definitivamente aterrorizado: Nicolás Postiglione trouxe a uma noite de quinta-feira que tinha tudo pra ser uma noite como qualquer outra não apenas um longa, mas um ode à luta de classes. Depois de assistir Tinnitus, o longa brasileiro da noite que afundou e não soube a hora de trazer de volta, Postiglione demonstra sabedoria ao nos deixar respirar.

Com sua história mantida num vaivém, Inmersión nos coloca no iate do cidadão-de-bem Ricardo (Alfredo Castro), um homem com suas duas filhas Teresita (Consuelo Carreño) e Claudia (Mariela Mignot), em rumo à casa que marcou a infância do bon-vivant – que não mais pisou nela nos últimos bons anos. Entre idas e vindas, o filme nos mostra uma grande alegoria (ou fábula) sobre a luta de classe e sobre até que ponto a propriedade está acima ou abaixo da vida humana.

O longa, que parece passar mais rápido e ser mais instigante que o brasileiro da noite, cumpre. No debate, enquanto vemos alguns se arriscarem no portuñol e a crítica do Correio perguntando se Consuelo havia feito outro filme (que a própria não reconheceu em seu nome traduzido), o diretor conta que a busca pela casa do filme se fez de uma maneira um tanto curiosa: achou-se uma casa largada às traças para alugar no período da filmagem que condizia com aquilo que se buscava para o longa.

Se você for nela [a casa] hoje, ela possivelmente estará do mesmo jeito que estava no filme.

O produtor ri quando o pergunto se acabei de ver uma adaptação do Manifesto Comunista.